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 Hall

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Arya White
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MensagemAssunto: Re: Hall    Dom Set 21, 2014 3:52 pm

"Se eu for vc me deixa em paz?"
Ela jogou de novo, lançando um sorriso inocente a professora...
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MensagemAssunto: Re: Hall    Dom Set 21, 2014 3:57 pm

Ele abriu o papel, escondendo-o em seu fichário decorado de Kurt Cobain...
E o sorriso que ele esboçou à ela foi uma surpresa. Era quase inocente.


"Me encontre lá hoje. Às 12 da madrugada.
PS: rasgue isso."
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MensagemAssunto: Re: Hall    Dom Set 21, 2014 4:07 pm

Ela franziu o cenho quando viu o horário... Se os monitores a pegassem, na situação que as coisas estavam, seria expulsão na certa... Mas, ao invés de declinar, ela lhe deu um sinal de positivo com o polegar, e rasgou o papelzinho...
Os dados haviam sido lançados...
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MensagemAssunto: Re: Hall    Dom Set 21, 2014 4:10 pm

O tempo passou, e Tate não fez mais nada nas aulas que se seguiram. Literalmente nada. Ele ficara sentado na carteira com fones de ouvido escondidos nas mangas de seu moletom largo, desenhando algumas facas e olhos esbugalhados em suas folhas. O momento de aulas acabou, e ele se separou de Arya sem se despedir...
A tarde passou. Era segunda feira.
E logo a noite chegou...
E a madrugada deu-se início.
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MensagemAssunto: Re: Hall    Seg Out 06, 2014 7:33 pm

-------------------X------------------------




Dentro da ambulância, ele estava se debatendo e gritando. Ele queria sair. Não queria ficar perto daquelas pessoas, não aguentava ficar perto delas, mesmo que estivesse anestesiado de cocaína. Ele não viu exatamente o que foi, mas sentiu uma perfurada aguda em seu pescoço... e o corpo dele amoleceu.
Caiu sobre a maca que estava lá dentro, inerte, com uma respiração fraca... o coração dele de repente desacelerou.
E Tate foi como um leão adestrado para o sanatório Sta Agnes, segurado por dois homens que vestiam roupas brancas de enfermeiros com o crachá do lugar.
Quando a ambulância parou, ele nem pode sentir. Sentiu apenas o tapa em seu rosto, e mais outro, junto com algumas ordens de "acorde, moleque". Ele sentiu-se mais esperto, e foi rápido quando foi puxado para fora do carro, segurado pelos dois rapazes. Era certo, era o sanatório. Lá estava a placa corroída. Eles passaram pelo portão enferrujado e, lá dentro, Tate foi forçado a um banho para que espertasse do efeito da cocaína. Um procedimento difícil de se passar, a mangueira que despejava água a despejava numa velocidade e força imensa, tão grande que suas costas ficaram marcadas pela força da água, e ele precisou proteger bem suas partes íntimas mais frágeis para que não sentisse mais dor. Em seguida, foi posto numa roupa ridícula de hospital, daquelas que não são fechadas atrás e completamente abertas em baixo, como um vestido. Ele sentia-se, por um fio, praticamente nu, a única coisa que o salvava era que pelo menos a roupa era cumprida, batendo até um pouco depois de seu joelho, salvando secreta a parte da frente de seu corpo. Ele não soube muito bem o que aconteceu a seguir. O botaram dentro de um quarto... e a primeira coisa que ele ouviu foi uma música do barney. Devia ter mais alguém ali, mas ele não pode parar pra olhar, pois o pegaram de novo, deixando marcas de unhas em seus braços e até rosto, e o jogaram na cama debaixo de um beliche largo. Ele tentou se contorcer, gritar para sair, tentar, mas ele teve a oportunidade de conhecer que a cama tinha algemas, e os rapazes de branco prenderam Tate lá. Um deles encheu uma seringa de algo. E fincou-a numa das veias do braço de Tate.
Ele parou de gritar. Parou de se mexer. Deu um suspiro pesado, e em seguida até sua respiração ficou baixa demais, de novo...
Com um pouco mais, os rapazes se retiraram do quarto, e Tate ficou só... ou pelo menos assim achava... ele não conseguia mais pensar direito... ele não conseguia sequer piscar o olho sem fazer esforço...
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MensagemAssunto: Re: Hall    Seg Out 06, 2014 8:56 pm

Se tinha uma coisa que Mattheus odiava mais do que aquele lugar, era ficar lúcido ali. Preferia mil vezes estar dopado, drogado, ou com seus ataques de esquizofrenia... Estar consciente significava lembrar.
Lembrar do que porque estava ali...
A mãe dele morrera quando ele tinha pouco menos de dez anos, vítima de um câncer extremamente agressivo no pulmão, que a levara em questão de meses. Seu pai, um político influente, não demorou para arrumar outra para colocar no lugar da falecida, o que comprovava as suspeitas de que ele já estava com essa mulher antes da mãe dele morrer. Sua irmã mais velha, Evy, não encarou isso tudo muito bem... Tornou-se melancólica e depressiva, cada vez mais isolada, até que por fim Mattheus encontrou-a caída no banheiro...
Com os pulsos cortados...
Morta.
Desde então, ele via a irmã em todos os lugares. Não demorou para acharem que ele havia perdido o juízo, e sob influência da madrasta, que alegava que os distúrbios mentais dele poderiam afetar o candidatura do pai, Mattheus foi jogado ali. Nunca recebera uma visita, nem um telefonema, nada.
Ele ainda podia ver Evy. Se olhasse para o lado, a veria sentada, os pulsos ensanguentados, olhando para ele daquela forma melancólica, como se pedisse para que ele se juntasse a ela.
E Mattheus tentara. Até conhecer Arya. A menina dos cabelos brancos e sorrisos fáceis, que o xingava a cada vez que ele mencionava sobre cometer suicídio.
"-Covardia. -ela alegava- A vida é a única coisa que nós temos... Que garante que depois de mortos as coisas não podem piorar?"
"-Você nem acredita em Deus, Arya..."
"-Não se trata de religião... Eu só creio que há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia..."
E assim Arya fazia os dias deles mais fáceis de suportar... Até que ela partiu, deixando promessas vazias, e os pulsos de Mattheus voltaram a se encher de marcas, ensaios para o desfecho que ele não tinha coragem para executar...
Seus devaneios foram interrompidos pela entrada de enfermeiros, que jogaram um rapaz na cama de baixo e saíram depois de dopá-lo. Ele não se importou, nem se mexeu. Era só mais um companheiro de quarto, que sumiria em alguns dias...
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MensagemAssunto: Re: Hall    Seg Out 06, 2014 9:19 pm

- Ei... eu sei que tem alguém aí em cima...- a voz de Tate soou. Fraca... e embargada. Ele estava lutando, sabe-se lá porquê, para se manter acordado. Deveria dormir. Deveria simplesmente sair daquele mundo um pouco. Não sabia o que ia acontecer consigo mesmo. Sua mãe viria? Ele achava difícil. Apesar de tudo o que fizera, ela queria um castigo para ele... e o que poderia ser melhor do que deixar Tate num manicômio por um longo tempo?
- Por que não... para com essa música? É horrível...
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MensagemAssunto: Re: Hall    Ter Out 07, 2014 7:53 pm

-Bem que eu queria ouvir indie rock, amigo... -ele resmungou por fim, enquanto observava Evy abaixar a cabeça e balança-la negativamente- Mas acho que eles pensam que Barney é algo relaxante para nós.
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MensagemAssunto: Re: Hall    Ter Out 07, 2014 8:52 pm

- Eles não pensam. Eles só querem perturbar com isso. Então desligue. Eu preciso de Kurt Cobain agora... e não consigo me concentrar na letra de Lithium com isso...

Tate fechou os olhos. Ele não queria, mas as pálpebras estavam pesando como uma bigorna. As mãos dele estavam tremendo, ele suava frio e sentia-se extremamente tonto. Talvez fosse efeito do sedativo misturado com a cocaína... e ele apenas agradeceria se tivesse uma overdose. Ele ainda estava preso nas correntes da cama, em seus pulsos e tornozelos. Eles realmente não deviam confiar em Tate para achar que dopá-lo seria o suficiente.
Com uma voz fraca e completamente dopada, o loiro cantarolou baixo:

- I'm so happpy... cause today I found my friends... they're in my head... i'm so ugly, but that's okay, cause so are you... broken our mirrors...

Citação :
"Eu estou tão feliz
Porque hoje eu encontrei meus amigos
Eles estão na minha cabeça
Eu sou tão feio, mas está tudo bem
Porque você também é
Quebramos nossos espelhos..."
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MensagemAssunto: Re: Hall    Qui Out 09, 2014 7:28 pm

Tate pode ouvir uma risada amarga soar na cama de cima.
-Se eu pudesse desligar, já o teria feito a muito tempo...
Ele o escutou cantarolar, com aquela voz fraca e debilitada.
-Sério, você deveria dormir... Ai o efeito do sedativo passa...
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MensagemAssunto: Re: Hall    Qui Out 09, 2014 9:13 pm

- Você pode... só não tenta.

Ele embargou um pouco na última sílaba. Tudo estava girando, e o corpo dele estava sedendo ao sono, enquanto seu estomago embrulhava pelas veias levarem o sedativo cada vez mais a preencher seu corpo...
Tate abriu os olhos com muito esforço... e visou um canto do quarto...

- Quem é... essa menina...?- foi tudo o que ele conseguiu dizer... antes de suas pálpebras serem marteladas para baixo e a respiração dele parar por um segundo, antes de recomeçar lentamente, num corpo pesado e adormecido de forma forçada... e cheio de arranhões em seus pulsos e tornozelos, culpa das correntes que ainda o prendiam na cama...
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 8:58 am

Mattheus o ignorou, e pretendia continuar a fazê-lo quando ela mencionou a tal menina.
Não havia ninguém no quarto além deles dois.
A não ser que...
Os olhos claros do rapaz pararam em Evy, e ele achou que ia ter um ataque. Ninguém nunca vira a menina, e, em todos esses anos, Mattheus achara que ela fosse realmente fruto de algum distúrbio mental...
Ele ergueu-se, colocando os pés para fora da cama e saltando para o chão, encarando o garoto recém chegado. Que finalmente adormecera.

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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 10:23 am

Aos poucos, a noite se tornou madrugada. Uma madrugada fria demais para o aquecimento falho do quarto, e os lençóis finos que, quem sabe, estavam roídos por ratos, e eles ainda distribuíam aos pacientes. Estava um silêncio e um breu sem igual pelo corredor, assim como estava no quarto, já que eles haviam desligado as luzes e parado também a música do Barney.
Tate estava com frio. A roupa de hospital que ele usava não cobria sequer suas pernas direito. Era como um vestido de cor verde desbotada e manchado com algo amarelo nas bordas - que ele, quando fora forçado a vestir, esperara não ser vômito ou algo do tipo - e com um colchete falho em seu pescoço, que fechava apenas ali, mas deixava uma tira mostrando suas costas e até abaixo disso. A única coisa que lhe cobria era um lençol fino, quase transparente. Sua pele estava gelada de frio, mas o sedativo impedia que ele acordasse apenas por isso. Ele estava num sono pesado, sem conseguir sonhar, sem conseguir saber de mais nada do mundo fora de suas pálpebras fechadas.
Ele ainda não sabia como era a aparência dor rapaz que dormia na cama de cima. Mas ele sabia da aparência de uma menina que ele vira sentada... sangrando. E nem ao menos tivera condições de perguntar o porquê.

"Bummm", o barulho foi ouvido. Alguém devia ter entrado no corredor. Logo depois, passos. Passos como se um salto baixo batesse contra a cerâmica encardida do chão. Parecia estar chegando perto. O brilho repentino passou pelo quarto de Matheus e Tate, como se quem fosse que estivesse ali carregasse uma lanterna. Talvez fosse normal, uma breve vigia durante a madrugada nos quartos, para saber se nenhum dos loucos estava fazendo nada de errado.
Mas quando a luz parou bem na miúda janela de vidro da porta e um barulho de um molho de chaves foi ouvido, eles puderam, pelo menos, quem estava acordado, ou acordara durante os barulhos, que não era apenas uma vigília. A porta se abriu lentamente, e uma enfermeira entrou. A luz iluminou o rosto dela. Era apenas mais uma senhora não tão jovem, com cara rabugenta, de cabelos castanhos pouco abaixo dos ombros e meio ressecados. Devia estar levemente acima do peso, também, além de ser baixinha.

- Muito bem, mr.Matheus.- ela bateu palma, como se fosse para acordar - de qualquer forma, mesmo que, quem sabe, este não estivesse dormindo.- Você precisa levantar e ir para a sala de recreação. Estão esperando você, sabe-se lá porquê, por lá.
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 12:10 pm

Mattheus acordou sonolento e perdido... Os remédios da tarde o haviam feito voltar ao seu estado letárgico e infantil. Ele sentou na cama, piscou, e encarou a enfermeira, a pele alva se arrepiando com o frio que fazia.
-Não quero ir... Me deixe aqui.
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 1:08 pm

- Oh, mas você precisa ir.- repetiu a enfermeira, com um sorriso venenoso.- Quem sabe ache algo interessante por lá. É rápido, depois você pode voltar. Apenas querem falar com você.
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 1:30 pm

Claro que ele percebeu a ameaça velada escondida naquelas falsas palavras doces... Então, pulou da beliche, lançando um olhar de esguelha a Evy, que o olhava de forma apreensiva, e seguiu a mulher pelos corredores vazios...
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 2:09 pm

Tate ficou a só. Sequer tinha despertado. Sequer tinha ouvido ou sentido nada. Contudo, a porta se abriu mais uma vez... e quem entrava ali era outra enfermeira. Esta tinha cabelos ruivos  já bem desbotados e era baixinha como a outra, assim como também acima do peso. Seu rosto era marcado de cicatrizes de espinhas, prova de que ela deveria ter tido uma adolescência bem difícil. Ela tinha um olho azul... e o outro era cinza, cego, e inchado.
Ela fechou a porta atrás de si. Passou as mãos pela roupa, mais precisamente, pelas bordas do vestido branco e se dirigiu ao beliche. Ela tinha um sorriso doce, e visava Tate. Enxergava-o por meio de uma lanterna, a qual ela pôs em cima de uma cômoda arranhada e puxou um banco encardido para sentar-se ao lado da cama em que o louro estava. De um modo lento, ela pôs as mãos no rosto dele, apertando suas bochechas... e logo depois desceu os dedos para seu pescoço, e apertou ali.
Alguns segundos depois, Tate acordou com um sobressalto, um espasmo violento em seu pulmão, inflando, expirando e aspirando pela falta de ar. Ela já tinha soltado-o, e agora ele conseguia respirar, embora sua visão tivesse pontos pretos que ele não saberia distinguir se eram pelo sedativo ou pela pressão em sua artéria...

- Oh, querido.- ela disse. E ele recebeu um tapa na cara, que, ele não quis admitir, ajudou-o a despertar seus pensamentos.- Pode me ouvir?

Mas ele não respondeu e visou ainda em suspiros pesados a mulher ao seu lado.

- Como... o que aconteceu...?

- Relaxe, querido, você está bem agora. Estive preocupada com você, Tate... desde que tive a notícia de que chegou aqui. Lembra de mim?

Ele franziu o cenho. Ele reconhecia aquela voz. Ele reconhecia aquele rosto, aquele cabelo, e aquele olho...
Mas seus pensamentos estavam confusos demais para que pudesse juntar as sílabas do nome dela direito... ele piscou os olhos algumas vezes, e juntou forças para dizer:

- Tia... Alicia...

- Sei que está confuso. Mas eu fico tão feliz que você esteja bem. Sou eu, Tate. Eu cuidei de você desde que tinha cinco anos... desde que sua mãe começou a se descontrolar com você. E olhe onde você está agora... eu sempre soube que aquela mulher não tinha um espírito materno... diferente de mim...

Ela passou a mão pela testa dele, ajeitando sua franja para o lado. Ele suava frio. Ele estava delirando por causa do sedativo e seus efeitos colaterais. Sendo assim, ela empurrou o tórax dele levemente, fazendo com que ele se deitasse de novo. Suas mãos ainda estavam presas nas correntes, e seus pés também. Com aquele mesmo sorriso doce, ela passou os dedos mais uma vez por seu rosto... e aproximou o próprio do dele.

- Oh, meu pequeno bebê. Pelo menos você voltou pra mim.

E ela se levantou do banco. Se deitou na cama com ele, de lado... sentiu o cheiro do cabelo dele, encostou o nariz em sua orelha. Olhou nos olhos dele, ainda com aquele sorriso, e o beijou. Um beijo que teve um barulho nojento. Ela aprofundou o beijo, por si só, porque ele não retribuía nada. Ele estava vendo coisas na cama acima de si. Ele estava debilitado demais pra fazer qualquer coisa... ele só queria sair dali... só queria estar em qualquer outro lugar.
Ela colocou a língua dela entre os dentes dele, e naquele momento ele sentiu um embrulho no estomago. Mas depois ela mordeu o queixo dele, e seu pescoço... e se deitou sobre o peito dele...

- Não se preocupe...- ela disse num sussurro... e escorregou uma de suas mãos por debaixo do lençol dele... e subiu a roupa que ele estava vestindo por debaixo da coberta.- Estou aqui agora.

E ela o tocou. E ele teve vontade de chorar.

----------- X -----------


A mulher sorriu quando Matheus saiu da cama, e levou-o com lanternas pelos corredores silenciosos.
Mas a verdade era que ele não iria ser levado a sala de recreação alguma. Ele iria apenas ser levado a uma das selas solitárias e ser preso lá. É claro que a enfermeira não poderia fazer isso sozinha... então, quando eles chegaram num corredor ainda mais estreito, ela gritou, se jogando numa das paredes, dizendo que um paciente estava fora do quarto. Imediatamente, funcionários do prédio foram ouvidos descendo as escadas enferrujadas, a procura da bagunça para que pudessem punir Matheus pelo que ele não tinha feito.
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 2:36 pm

Mattheus ficou estático, sem entender porque a mulher gritava... E foi sua vez de gritar quando os funcionários do sanatório o agarraram e o jogaram dentro de um quartinho minúsculo, que chamavam de solitária.
-Eu não fiz nada!! -ele berrou, até a voz sumir, socando a porta da ferro até as mãos sangrarem. Quando finalmente ele percebeu que não o tirariam dali, ele se encolheu como um bichinho acuado, e chorou...

Enquanto isso, Tate estava prestes a ser molestado pela mulher horrenda e esquisita que se dizia tia dele... Mas ela não podia ver que eles não estavam a sós. Na penumbra, o loiro pode ver a silhueta de uma menina de longos cabelos escuros se mover silenciosamente, e com um sutil "click", as amarras que o prendiam se soltaram. E, ele não soube como, a mulher foi arrancada de cima dele e jogada no chão. Ao olhar para o lado, pode ver a menina de pulsos ensanguentados sorrir para ele, antes de desaparecer...
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 3:10 pm

Ele estava tentando se soltar, mas suas mãos e pernas não iam além de alguns centímetros acima. Era horrível o fato de que ela não parava de olhar nos olhos dele, enquanto fazia movimentos de vai-e-vem por debaixo do lençol. Ele não sentia nenhum tipo de prazer, apenas nojo. Mas, como se sua vontade fosse atendida, Tate viu aquela silhueta... deveria ser a mesma menina que ele viu antes de adormecer. E, de repente, o puxão que ele fez nas próprias mãos simplesmente foi livre... as correntes caíram inertes no chão. E, logo depois, a mulher sobre si pareceu ter levado um empurrão, e foi ao chão. Ela estava assustada no chão, e Tate, com a adrenalina, imediatamente se pôs de pé. E então a tontura o pegou de jeito.
Mas ele se arrastou para a porta, bateu nela, saiu do quarto. Tentou correr... mas, daquele modo debilitado, ele iria acabar caindo. Esgueirou-se pelas paredes...

E recebeu uma bela porrada no rosto. Um dos funcionários vestidos de branco o haviam encontrado, e Tate não pudera prever o soco não apenas por estar dopado, mas por estar também tudo escuro. Ele foi arrastado até uma solitária...
A que estava do lado da de Matheus. As paredes eram finas, então o jovem esquizofrênico pode ouvir muito bem os murmúrios e gritos embargados de Tate, e logo depois a porta se fechando ali...
Quando perguntada, Alicia, a enfermeira, dissera que ouvira barulhos nos quartos dos dois, e quando chegou ali, Matheus já tinha saído, e Tate estava tentando fazer o mesmo.
Foi rápido quando homens fardados tiraram Tate e Matheus das selas, e, juntos, os levaram até uma sala fechada logo no fim do corredor. Tate tentou se soltar, tentou resistir, gritou palavrões, mas ele não conseguiu.
Dois funcionários seguraram Matheus e o colocaram de bruços, inclinado sobre uma mesa. O mesmo fizeram com Tate enquanto o loiro se contorcia.
E Alicia já estava ali. Com um belo chicote nas mãos...
E açoitou as costas de cada um deles.
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 3:42 pm

Mattheus queria uma explicação para aquilo tudo... Se ele tinha certeza que não fizera nada, porque estava sendo punido?
De qualquer forma, ele aguentou as chicotadas em silêncio, sentindo o sangue morno escorrer por suas costas. A única coisa de que estava ciente além da dor era de sua irmã parada ao seu lado... E ele podia jurar que sentia a mão dela sobre seus cabelos ondulados, e o sussurro que dizia: "Aguente firme"
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 3:50 pm

Durante as porradas, Tate também visou a menina parada ao lado de Matheus. Ele ainda não entendia porquê ela estava ali. Ele não entendia porque ela dava apoio ao garoto ao seu lado, e ninguém fazia nada. Não entendia porquê ela estava sangrando...
Mas ele teve que se preocupar com o próprio sangue, quando as chicotadas começaram a formar desenhos de traços em carne viva de sua pele. Aquilo doía tanto que ele quase gritou... mas não daria esse gostinho a eles.
Foram dois minutos que pareceram uma hora. Um hora sofrida e sangrenta. E, depois daquilo tudo, sem sequer ter a chance de limpar a própria bunda encharcada de sangue, ele foi jogado de novo naquela solitária imunda.
Assim como Matheus foi, na sela ao lado da de Tate. E os funcionários foram embora. Antes que a janela na porta fosse trancada, Tate visou o olhar de Alicia... aquele olho cego lhe encarando com um falso ar amoroso...
Ele ficou calado, durante algum tempo, encolhido no canto, abraçando as pernas, olhando fixamente o escuro à sua frente. Não se importava mais com a dor. E então, a voz dele saiu... e soou na sela ao lado.

- Matheus, não é?
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 4:26 pm

Demorou algum tempo até que Tate ouvisse a voz fraca vinda da cela ao lado.
-É... Mas não sei o seu nome.
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Tate Langdon
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 4:47 pm

- Tate.- ele respondeu, sem mais delonga.- Você conhece aquela garota? A que estava no quarto. E a que estava com você durante os... você sabe...
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Arya White
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 5:04 pm

Mattheus engoliu em seco, visando a irmã sentada ao seu lado... Ele se encolheu ainda mais, e teve que fazer um esforço para elevar a voz e se fazer ouvir.
-Ela é Evy, minha irmã.. Você não deveria vê-la...
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Tate Langdon
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MensagemAssunto: Re: Hall    Sab Out 11, 2014 5:13 pm

- Por que?- ele perguntou, sem entender.- A tratam como invisível ou algo assim?
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MensagemAssunto: Re: Hall    

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